Algas marinhas ganham espaço e ajudam plantas a enfrentar os extremos climáticos

O uso de blends de extratos de macroalgas representa uma inovação tecnológica no campo dos bioestimulantes.
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Paulo César de Melo
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia, doutor em Ciências do Solos e PhD em “Ciências do Mar e do Ambiente” – Universidade de Coimbra (UC)
paulo.melo@ceresmasteralgas.com

A agricultura moderna enfrenta um cenário cada vez mais desafiador, marcado por estiagens prolongadas, elevação das temperaturas e alta radiação solar. Esses fatores climáticos extremos têm provocado perdas significativas de produtividade em diversas culturas.

Diante desse contexto, o uso de bioinsumos e bioestimulantes vem ganhando destaque como estratégia para minimizar os danos causados pelos estresses abióticos. Entre essas soluções, os bioextratos de algas marinhas se consolidam como uma alternativa eficiente, sustentável e respaldada por resultados consistentes na pesquisa e no campo.

A aplicação de extratos de algas marinhas atua diretamente na fisiologia vegetal, ajudando as plantas a responderem melhor às condições ambientais adversas. Esses produtos contribuem para amenizar os efeitos do estresse de forma geral, favorecendo a recuperação das plantas e a manutenção do desempenho produtivo.

Bioextratos de algas: alternativa sustentável e em expansão

O uso de extratos de algas marinhas na agricultura tem crescido de forma expressiva nas últimas décadas, impulsionado pela busca por práticas mais sustentáveis e eficientes. Uma parcela significativa das cerca de 15 milhões de toneladas métricas de algas marinhas colhidas anualmente no mundo já é destinada à produção de bioestimulantes agrícolas.

Esses extratos são considerados uma alternativa ecologicamente correta ao uso exclusivo de fertilizantes minerais, podendo ser utilizados de forma complementar para melhorar o desempenho das culturas.

Além disso, seu uso está alinhado às demandas atuais por sistemas produtivos mais resilientes e com menor impacto ambiental.

Ação bioestimulante e efeito antiestresse nas plantas

Os bioextratos de algas marinhas se enquadram na categoria de bioestimulantes, por serem compostos por uma mistura complexa de fitormônios e substâncias de diferentes naturezas químicas, como aminoácidos, vitaminas, sais minerais e outros compostos orgânicos. Essa combinação permite que eles influenciem diretamente o desenvolvimento vegetal.

Um dos principais diferenciais desses produtos é sua atuação como agentes antiestressantes. Eles afetam positivamente o sistema antioxidante das plantas, tanto enzimático quanto não enzimático, aumentando a tolerância a condições ambientais adversas e melhorando a capacidade de recuperação após períodos de estresse.

Esse efeito contribui para manter ou até incrementar a produção, mesmo quando as condições de cultivo estão longe do ideal.

Fotossíntese mais eficiente e maior retorno produtivo

Entre os benefícios mais relevantes do uso de bioextratos de macroalgas marinhas está a bioativação da fotossíntese. Esse estímulo resulta em maior produtividade, além de melhorias na qualidade e no peso de grãos, frutos e frutas.

O impacto positivo não se limita à parte aérea da planta: os extratos também atuam como carreadores naturais e ativadores do dossel foliar e do sistema radicular.

Essa ação favorece a mineralização da matéria orgânica do solo e aumenta a biodisponibilidade de nutrientes, garantindo um melhor aproveitamento de cada unidade de fertilizante aplicada, seja via solo ou via foliar.

Esse conceito está diretamente ligado à Eficiência no Uso de Nutrientes (EUN), um dos pilares para a redução de custos e o aumento da sustentabilidade na produção agrícola.

Regulação osmótica, desenvolvimento celular e sanidade vegetal

Outro ponto de destaque é o papel dos bioextratos de algas na regulação do equilíbrio osmótico das plantas. Eles atuam como osmorreguladores e termorreguladores, ajudando a manter funções vitais mesmo sob estresse hídrico ou térmico.

Essa regulação tem reflexos diretos na nutrição foliar, pois favorece a expansão celular e estimula a síntese de proteínas e a produção de enzimas essenciais ao metabolismo vegetal.

Como resultado, observa-se maior sanidade das plantas, melhor desenvolvimento inicial dos tecidos, incluindo os primórdios de flores e frutos, além de crescimento mais vigoroso de brotos e folhas. Esses efeitos são fundamentais para garantir uniformidade e potencial produtivo ao longo do ciclo da cultura.

Composição rica e ação rápida no campo

Os bioextratos de algas marinhas se destacam ainda pela sua composição rica e diversificada. Eles contêm aminoácidos, fitormônios e substâncias orgânicas que atuam rapidamente na recuperação das plantas e no aumento da atividade fotossintética, além de auxiliarem na prevenção dos estresses abióticos.

Uma vantagem operacional importante é que esses produtos podem ser utilizados em conjunto com quaisquer pulverizações realizadas na lavoura, facilitando sua adoção no manejo diário.

Além dos compostos orgânicos, as algas são uma fonte expressiva de minerais. Em alguns casos, o conteúdo mineral da biomassa pode chegar a até 40% do peso seco. Isso ocorre porque as algas acumulam íons metálicos da água salgada, concentrando essas substâncias na forma de sais de carbonatos, o que amplia ainda mais seu potencial agronômico.

Ferramenta estratégica para a agricultura do futuro

Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e da necessidade de sistemas produtivos mais eficientes e resilientes, os bioextratos de algas marinhas se consolidam como uma ferramenta estratégica no manejo agrícola.

Sua capacidade de estimular a fisiologia vegetal, aumentar a eficiência no uso de nutrientes e proteger as plantas contra estresses coloca esses insumos em posição de destaque dentro da agricultura moderna, unindo produtividade, sustentabilidade e inovação.

O peso de frutos evidencia a eficiência metabólica dos blends

Tipos de algas e sua importância para a vida e a agricultura

Devido à sua enorme ocorrência e elevada capacidade fotossintética, são responsáveis pela devolução de grandes volumes de oxigênio molecular à atmosfera, em proporção superior, inclusive, às plantas terrestres, possibilitando a sobrevivência dos organismos aeróbios e a formação da camada de ozônio, essencial para a proteção contra os raios ultravioleta.

Do ponto de vista científico, os sistemas tradicionais de classificação dividem as algas em dez filos. Entre os mais diversos e relevantes estão Chlorophyta, Ochrophyta, Rhodophyta e Cyanophyta.

O grupo Ochrophyta reúne principalmente as algas diatomáceas e as algas pardas ou marrons, sendo este último o principal grupo utilizado como bioestimulante de plantas. As algas pardas pertencem à classe Phaeophyceae, que reúne 14 ordens, 265 gêneros e entre 1.500 e 2.000 espécies.

Menos de 1% dessas espécies ocorre em água doce; a grande maioria habita ambientes marinhos de águas frias e temperadas.

Bioextratos de algas marinhas na agricultura

Na agricultura, os bioextratos são obtidos a partir de diferentes grupos de macroalgas, entre elas algas castanhas, marrons, vermelhas, verdes e algas calcárias do gênero Lithothamnium.

Os bioestimulantes à base de macroalgas são comumente preparados a partir de espécies como Ascophyllum nodosum, Kappaphycus alvarezii, Ecklonia maxima, Durvillea potatorum, Fucus vesiculosus, Himanthalia elongata, Laminaria digitata, Macrocystis pyrifera, Dictyopteris jamaicensis, Phymatolithon calcareum e Sargassum vulgare, amplamente estudadas e utilizadas por apresentarem elevado potencial agronômico.

Blends de algas: inovação no manejo bioestimulante

O uso de blends de extratos de macroalgas representa uma inovação tecnológica no campo dos bioestimulantes. Esses produtos foram desenvolvidos e validados em ambiente acadêmico, resultando em soluções formuladas a partir de extratos frescos de diferentes espécies de macroalgas, combinados em soluções homogêneas e concentradas.

Os blends atuam como bioestimulantes naturais e bioativadores fotossintéticos, apresentando uma matriz complexa composta por macro e micronutrientes, minerais quelatizados, vitaminas, antioxidantes, carboidratos, fitormônios reguladores de crescimento, como auxinas, giberelinas, citocininas e betaínas, além de aminoácidos.

Tecnologia de extratos concentrados de macroalgas

Entre as tecnologias disponíveis, destaca-se o desenvolvimento de extratos líquidos solúveis concentrados (LSC) à base de macroalgas marinhas. Esses produtos atuam diretamente no sistema fisiológico das plantas, promovendo não apenas nutrição, mas também estímulos metabólicos e fisiológicos profundos.

Além de favorecerem o crescimento e o desenvolvimento vegetal, esses bioextratos apresentam atividade antimicrobiana, auxiliando no controle de fitopatógenos, e promovem a indução dos mecanismos naturais de defesa das plantas, com aumento da atividade de enzimas como quitinase, peroxidase, polifenoloxidase e lipoxigenase.

A presença de L-aminoácidos é outro diferencial importante, pois contribui para o aumento da disponibilidade energética em momentos de maior demanda, como durante estresses abióticos ou bióticos.

Esses aminoácidos participam da formação de proteínas, macromoléculas essenciais que atuam, entre outras funções, como bioativadoras de proteínas relacionadas à patogênese (PR-proteínas), fundamentais para a defesa vegetal contra bactérias, fungos e vírus.

O blend de algas aumenta o número de frutos e a qualidade

Composição bioativa e efeitos fisiológicos

Os extratos de macroalgas apresentam elevada concentração de substâncias biologicamente ativas. O teor de polissacarídeos, por exemplo, pode variar de 4% a 76% do peso seco das algas utilizadas.

Em processos de liquefação voltados ao uso agrícola, é possível extrair até 100% dessas substâncias ativas. Entre os principais compostos presentes estão polissacarídeos sulfatados, pigmentos carotenoides, fitosteróis, peptídeos bioativos, ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs), betaínas, taurina, polifenóis, com destaque para os clorotaninos, além de minerais, vitaminas e outros nutrientes essenciais.

Substâncias como poliaminas e betaínas atuam diretamente no crescimento das plantas e na proteção das membranas celulares em desenvolvimento, contribuindo para maior estabilidade metabólica e tolerância a condições adversas.

Benefícios agronômicos dos blends de bioextratos

Os blends de bioextratos de macroalgas marinhas promovem uma série de benefícios às plantas. Entre eles estão o aumento da absorção de nutrientes, estimulado pelo maior crescimento radicular e melhor estabelecimento das culturas; o fortalecimento da resistência natural aos estresses bióticos e abióticos; a atuação como osmorreguladores e termorreguladores; e a melhoria da sanidade geral das plantas.

Além disso, esses produtos contribuem para o aumento da produção com maior valor comercial e para a melhoria da qualidade organoléptica dos produtos agrícolas.

A ação multifuncional dos blends envolve fisioativação, bioativação, suporte nutricional e estímulo aos processos metabólicos, favorecendo a produção de antioxidantes naturais, como fitoalexinas, e de elicitores de resistência.

Nesse contexto, os produtos à base de macroalgas marinhas consolidam-se como um novo conceito de insumo para a agricultura do futuro, ao promoverem estímulos ao crescimento vegetativo, à fotossíntese e à defesa contra patógenos, resultando em maior vigor, crescimento e desenvolvimento das plantas.

Culturas atendidas e ganhos em produtividade e qualidade

Devido à baixa toxicidade ao homem, aos animais, à água e ao meio ambiente, os bioextratos de macroalgas podem ser utilizados em sistemas de produção convencionais, semiorgânicos e orgânicos.

No desenvolvimento vegetativo, as aplicações estimulam o enraizamento, aumentam a emissão de brotações e favorecem o vigor das plantas, intensificando a divisão celular, o alongamento dos tecidos e a formação de raízes laterais.

Os polissacarídeos presentes nas algas também auxiliam na retenção de água e na formação de biofilmes protetores, aumentando a resiliência das culturas em condições de seca ou calor excessivo.

Em culturas como o café, esses efeitos são especialmente relevantes, considerando a ampla área cultivada no Brasil. Estudos indicam que o uso de bioestimulantes à base de Ascophyllum nodosum melhora o enchimento dos frutos, uniformiza a maturação e eleva os teores de açúcares e compostos precursores de aroma e sabor, refletindo em maior peneira, melhor aparência física e pontuações superiores em análises sensoriais.

Época e modo de aplicação

De forma geral, a época e o modo de aplicação dos extratos de algas variam conforme a cultura, o ciclo produtivo, curto, médio ou longo, e o estádio fenológico. É fundamental respeitar as demandas nutricionais e fisiológicas específicas de cada cultura, ajustando o manejo para que os bioextratos expressem todo o seu potencial, contribuindo para sistemas agrícolas mais produtivos, resilientes e sustentáveis.

Inovações, tendências e validação em campo

As informações reunidas evidenciam que a evolução dos bioestimulantes à base de algas marinhas está diretamente associada à inovação tecnológica em formulações, processos de extração e estratégias de uso no manejo agrícola.

O avanço para blends multiespécies, líquidos solúveis concentrados e produtos com maior biodisponibilidade representa um salto qualitativo importante, pois amplia a eficiência de absorção, a rapidez de resposta fisiológica das plantas e a consistência dos resultados em diferentes culturas e ambientes.

Paulo César de Melo
especialista em algas

O desenvolvimento de tecnologias como o FERTISEA, formulado com cinco espécies distintas de macroalgas marinhas, ilustra bem essa nova geração de bioinsumos. A presença de L-aminoácidos, peptídeos biologicamente ativos e algas ultramicronizadas, como o Lithothamnium fluido, demonstra que a inovação não está apenas na composição, mas também na forma como esses compostos interagem com a fisiologia vegetal. Trata-se de um produto inédito.

A capacidade de favorecer a condução de seiva no xilema e floema, mantendo a planta metabolicamente ativa mesmo sob condições severas, como no caso do greening (HLB) em citros, reforça o potencial estratégico desses produtos para prolongar a vida produtiva dos pomares e mitigar perdas econômicas.

Os resultados de campo corroboram essa tendência. Em videira, os incrementos expressivos no número de cachos, massa fresca, produção por planta e produtividade por área confirmam o efeito bioativador e fisioativador dos extratos de algas.

Em citros, além do aumento no número de frutos, observam-se melhorias claras na qualidade, como maior teor de açúcares, melhor equilíbrio entre acidez e sólidos solúveis, aumento do ratio e maior rendimento de suco, características diretamente relacionadas ao valor comercial do produto.

Em campo

Na cultura do pimentão, os ganhos em clorofila total e peso de frutos evidenciam a intensificação da fotossíntese e a eficiência metabólica proporcionada pelo uso de blends de algas, superando de forma consistente os tratamentos convencionais.

Já na alface, os estudos experimentais reforçam a praticabilidade e a eficiência agronômica desses bioestimulantes, validando seu uso em hortaliças de ciclo curto.

Do ponto de vista de mercado e sustentabilidade, a tendência de crescimento dos bioestimulantes à base de algas marinhas é sólida e contínua. As projeções de expansão anual entre 12% e 13% até 2030 refletem não apenas a aceitação do produtor, mas também uma mudança estrutural na agricultura global, que busca maior eficiência produtiva, redução do impacto ambiental e menor dependência de insumos sintéticos tradicionais.

O fato de esses produtos representarem uma parcela significativa do mercado mundial de extratos de algas reforça seu papel como tecnologia agrícola estratégica.

Dessa forma, pode-se afirmar que os blends de extratos de algas marinhas se consolidam como um “novo conceito de insumo” para a agricultura do futuro. Amparados por resultados científicos, validações em campo e alinhamento com as demandas por sustentabilidade e produtividade, esses bioestimulantes tendem a ocupar posição central nos programas de manejo nutricional e fisiológico das culturas, contribuindo para sistemas agrícolas mais resilientes, eficientes e economicamente viáveis.

Tabela 1. Resultados do Número de Folhas (NF), Diâmetro de colo (DC), Massa Fresca da Parte Aérea (MFPA), Massa Fresca da Raiz (MFR), média de 3 plantas/tratamento e a Eficiência Agronômica – E.A. (%) das plantas de Alface, Casa-de-Vegetação, Departamento de Biologia – DBI/UFLA, 2023.

Tratamento/L.ha-1DescriçãoMédia NF** (unid)EA (%) NFMédia DC**  (mm)EA (%) DCMédia MFPA** (g)EA (%) MFPAMédia MFR* (g)EA (%) MFR
T0 – 0,0Testemunha211008,91005310019100
T1 – 0,5AMINO2311110,311565,312330,7161
T2 – 1,0AMINO2511910,511877,714629,3154
T3 – 2,0AMINO2512010,111470,613329,7156
T4 – 0,5COT+241139,51075810927,3144
T5 – 1,0COT+2512110,71206812825,7135
T6 – 2,0COT+2411310,31166913024,3128

** Significativo a 1% e * Significativo a 5%, teste F.

O parâmetro físico Massa Fresca da Parte Aérea (MFPA) apresentou diferença estatística significativa (p < 0,01), ao nível de 1% de probabilidade pelo Teste F, conforme apresentado na Tabela 1.

Os resultados de Eficiência Agronômica (E.A.) evidenciam ganhos expressivos na MFPA, variável diretamente relacionada ao rendimento comercial da cultura. O tratamento adicional (Testemunha) registrou massa média de 53 g, enquanto a melhor dose do bioestimulante Estimubrás Amino, aplicada a 1,4 L/ha, alcançou 77,7 g, correspondendo a uma Eficiência Agronômica de 46%.

Na mesma dose, o produto Estimubrás COT+ apresentou massa média de 68 g, com Eficiência Agronômica de 28%.

É importante destacar que, na cultura da alface, o fator determinante para a rentabilidade é o peso ou massa fresca da parte aérea, que corresponde à porção comercial da planta. Para o produtor, o ganho econômico está diretamente associado ao peso da caixa comercializada.

Nesse sentido, os incrementos proporcionados pelo uso dos bioestimulantes Estimubrás Amino e COT+ resultaram em aumentos percentuais de 23% a 46% na massa fresca das plantas.

Atualmente, a alface lisa é comercializada no CEAGESP, na cotação especial (primeira qualidade), em caixas contendo de 24 a 36 unidades, com massa individual inferior a 200 g, a preços que variam de R$ 24,00 a R$ 36,00 por caixa.

Considerando uma produtividade média entre 80.000 e 120.000 plantas por hectare, a depender da cultivar utilizada, os ganhos em massa fresca refletem diretamente em maior valor agregado e rentabilidade ao produtor.

Custo-benefício e retorno econômico da tecnologia

Quando analisado sob a ótica da rentabilidade, o uso de bioestimulantes à base de macroalgas marinhas apresenta relação custo-benefício positiva, especialmente em sistemas produtivos expostos a estresses climáticos.

Relatos de produtores e resultados obtidos em diferentes culturas indicam que a aplicação de extratos de Ascophyllum nodosum gera retorno econômico relevante ao promover maior produtividade por área, além de contribuir para a redução dos impactos causados por estiagens, altas temperaturas e irregularidade hídrica, com destaque para regiões de sequeiro.

Embora a literatura científica específica para o café brasileiro ainda seja considerada modesta, evidências consolidadas em países da América Latina apontam para aumentos consistentes de produtividade, reforçando o potencial dos bioestimulantes como ferramentas tecnológicas alinhadas às exigências produtivas, econômicas e ambientais da cafeicultura nacional.

Dessa forma, a tecnologia se consolida como um insumo estratégico, capaz de elevar a eficiência dos sistemas agrícolas sem ampliar de forma significativa os custos de produção.

Ganhos de produtividade, tolerância a estresses e qualidade do produto final

Estudos recentes têm evidenciado a eficiência agronômica do potencial biotecnológico das macroalgas marinhas na estimulação do crescimento, desenvolvimento e da atividade fotossintética das plantas.

Um experimento científico conduzido com a cultura do feijão (Phaseolus vulgaris) avaliou os efeitos do uso de Lithothamnium brasiliensis e Ascophyllum nodosum, de forma isolada e combinada, sobre parâmetros fisiológicos, metabólicos, químicos e produtivos.

O experimento foi conduzido em casa de vegetação, com os seguintes tratamentos:

T1 – Controle, sem aplicação de bioestimulantes;

T2 – Lithothamnium brasiliensis, aplicado via solo na dose de 100 kg ha⁻¹ no momento da semeadura;

T3 – Ascophyllum nodosum, aplicado via foliar na dose de 1 L ha⁻¹, em duas aplicações;

T4 – Associação Lithothamnium + Ascophyllum, combinando 100 kg ha⁻¹ via solo e 1 L ha⁻¹ via foliar.

Foram avaliados número de folhas, massa fresca e seca da parte aérea e das raízes, comprimento da planta e das raízes, avaliações metabólicas e químicas, além da produção de grãos.

Os resultados demonstraram ganhos expressivos, sobretudo no tratamento combinado (T4), que apresentou desempenho superior em praticamente todos os parâmetros analisados.

Resultados produtivos e eficiência agronômica no feijão

Os dados de produtividade evidenciaram incrementos significativos no número de vagens (NVG), número de grãos (NGR), massa de grãos corrigida a 13% de umidade (MGR), produtividade por hectare e número estimado de sacas.

O tratamento combinado (T4) alcançou 6.939 kg ha⁻¹, equivalente a 115 sacas por hectare, representando Eficiência Agronômica de até 88% em relação ao controle.

Os tratamentos com aplicação isolada também apresentaram resultados positivos, com ganhos de produtividade e eficiência variando entre 13% e 33%, quando comparados ao tratamento sem bioestimulantes.

De modo geral, as aplicações refletiram em incrementos produtivos consistentes, com índices de Eficiência Agronômica variando de 13% a 88%, dependendo do parâmetro avaliado

Tabela 2. Resultados do Número de Vagens (NVG), Número de Grãos (NGR), Massa de Grãos (MGR) corrigido a 13%, (média de 2 plantas/vaso), Produtividade (PROD) e Sacas (SACAS) estimadas por hectare (espaçamento 0,50cm x10 plantas/m.linear-1 = 200.000 plantas.ha-1), e Eficiência Agronômica – EA (%), das plantas de Feijão BRSMG- Realce, Casa-de-Vegetação, Departamento de Engenharia Agrícola – DEA/UFLA, 2019.

Trat.Média NVG (uni)  EA  NVG (%)Média NGR (uni)EA  NGR (%)  Média MGR (13%) (g) EA MGR (%)Média PROD. (Kg.ha-1)EA PROD. (%).Média SACAS (ha)EA SACAS (%)  
T118 c*10073 d10036,81 d1003.681 d10061 d100
T224 b133115 b15649,09 b1334.909 b13381 b133
T322 b12597 c 13041,72 c1134.172 c11369 c113
T434 a186159 a11669,39 a 1886.939 a 188115 a188

*Médias seguidas da mesma letra minúscula na coluna, não diferem entre si pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Estímulo fisiológico, fotossíntese e biofortificação

A aplicação conjunta de Lithothamnium brasiliensis e Ascophyllum nodosum promoveu bioestimulação da taxa fotossintética, evidenciada pelo aumento da refletância e do índice de coloração verde das folhas.

Também foi observada maior condutância estomática, indicando melhor difusão de vapor d’água e maior eficiência fisiológica das plantas.

Além dos ganhos produtivos, o estudo destacou o potencial das macroalgas na biofortificação do feijão, estratégia voltada ao aumento do teor de micronutrientes essenciais, como ferro e zinco, e, em alguns casos, maior teor de proteínas nos grãos.

Ressalta-se que os resultados do experimento envolvendo Lithothamniume extrato de algas, demonstrou aumento do teor de proteína em feijão brasileiro e comparado ao europeu.

Esse processo contribui diretamente para a qualidade nutricional do alimento, reforçando o papel das macroalgas não apenas na produtividade, mas também na qualidade do produto final.

Os resultados de produção, biofortificação e desempenho fisiológico refletem o efeito bioestimulante e bioativador das macroalgas marinhas, cuja ação está diretamente relacionada ao maior aproveitamento dos nutrientes absorvidos pelas plantas.

Assim, produtos à base de extratos concentrados de algas marinhas demonstram elevada praticabilidade e eficiência agronômica, consolidando-se como uma tecnologia promissora para a agricultura moderna e sustentável.

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