Principais tendências tecnológicas no agronegócio brasileiro adotadas por agrônomos

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A fronteira agrícola do Brasil está deixando para trás a simples expansão de terras e avançando para uma sofisticada revolução digital. Hoje, agrônomos de todo o Centro-Oeste e Sul estão utilizando ferramentas de precisão para atender à demanda global por alimentos, ao mesmo tempo em que lidam com a variabilidade climática. Ao utilizar imagens de satélite em tempo real, esses profissionais estão transformando fazendas tradicionais em verdadeiras potências orientadas por dados, garantindo que o Brasil permaneça como um pilar central da segurança alimentar global.

Como maior fornecedor mundial de soja e carne bovina, o país vem reforçando sua vantagem competitiva por meio de pesquisa avançada e agritechs. Essa transição para uma agricultura mais intensiva em tecnologia não se trata apenas de escala, mas de criar um ecossistema sustentável e preparado para o futuro, voltado aos mercados globais.

Agricultura De Precisão E Tomada De Decisão Orientada Por Dados

A agricultura de precisão (AP) deixou de ser um luxo para produtores de elite e passou a ser o procedimento operacional padrão do agrônomo moderno que tem acesso a imagens de satélite ao vivo do Brasil. O mercado brasileiro de agricultura de precisão cresce a uma taxa composta anual (CAGR) de 14,4% e deve ultrapassar US$ 600 milhões até 2030. Essa mudança é impulsionada pela necessidade de gerenciar grandes áreas com precisão cirúrgica. Ao integrar dados de imagens de satélite em tempo real ao fluxo de trabalho diário, os agrônomos conseguem identificar compactação do solo ou deficiências de nitrogênio em áreas de até 5.000 hectares em questão de minutos, uma tarefa que antes levava dias de monitoramento manual em campo.

O impacto é mensurável e profundo. Pesquisas da EMBRAPA indicam que a aplicação da Tecnologia de Taxa Variável (VRT) pode aumentar a produtividade da soja em até 30%, ao mesmo tempo em que reduz os custos com insumos em cerca de 18%. Na região do Cerrado, robôs com inteligência artificial, como o Solix, já estão alcançando uma redução de até 90% no desperdício de herbicidas ao identificar e tratar plantas daninhas individualmente em tempo real. Essa precisão garante que cada semente tenha o ambiente ideal para se desenvolver, mesmo diante das mudanças climáticas cada vez mais erráticas.

IA E Monitoramento Satelital Ubíquo

A inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito futurista no Cerrado brasileiro e passou a ser uma camada operacional essencial. O mercado brasileiro de IA aplicada à agricultura atingiu US$ 60 milhões em 2025, com crescimento projetado de 18,5% até o final da década. Hoje, agrônomos utilizam modelos de machine learning para sintetizar grandes volumes de dados, combinando umidade do solo, padrões climáticos históricos e imagens de satélite da Terra em tempo real para prever safras com precisão superior a 85%. Esse poder preditivo é um divisor de águas na mitigação de riscos, especialmente em um cenário de volatilidade climática que ameaça os calendários tradicionais de plantio.

Considero particularmente fascinante a transição “além do NDVI”. Plataformas modernas, como a EOSDA Crop Monitoring, agora utilizam índices avançados, incluindo NDRE (Normalized Difference Red Edge) e MSAVI (Modified Soil-Adjusted Vegetation Index). Essas ferramentas permitem que os agrônomos enxerguem através de copas densas e ignorem interferências do solo, detectando deficiências de nitrogênio ou estresse hídrico até duas semanas antes de se tornarem visíveis ao olho humano. Em um caso recente, um produtor de soja em Mato Grosso utilizou imagens de alta resolução para identificar falhas de emergência causadas por compactação do solo em uma área de 1.500 hectares, possibilitando intervenções direcionadas que reduziram em 9% as perdas potenciais estimadas de produtividade.

Além disso, o crescimento das imagens da Terra em tempo real está revolucionando a conformidade regulatória. Com a entrada em vigor de regulamentações internacionais, como o Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), os registros satelitais fornecem um “gêmeo digital” imutável do histórico da fazenda. Isso garante que as exportações brasileiras sejam 100% rastreáveis e livres de desmatamento.

Biológicos E Tecnologias Regenerativas

A migração para insumos biológicos representa uma reestruturação fundamental da saúde do solo no Brasil. Agrônomos estão reduzindo a dependência de produtos químicos pesados e adotando uma revolução microbiana, na qual inoculantes como Azospirillum e Bradyrhizobium ganham protagonismo. O Brasil atualmente lidera o mundo na adoção de bioinsumos, com um mercado avaliado recentemente em mais de US$ 1,1 bilhão, crescendo a uma taxa impressionante de 15% ao ano. Acredito que essa transição passa a tratar o solo como um ativo vivo, e não apenas como um substrato estéril para insumos sintéticos.

  • Sistemas Integrados (ILPF): Gerenciar mais de 17,4 milhões de hectares de integração lavoura-pecuária-floresta exige softwares sofisticados para o desenho de arranjos de plantio e o monitoramento de microclimas.
  • Agricultura de Carbono: Plataformas digitais verificam o sequestro de carbono, permitindo que produtores monetizem práticas regenerativas por meio de créditos internacionais.

Para monitorar essas paisagens complexas e multilayer, os agrônomos dependem de imagens da Terra em tempo real para acompanhar o acúmulo de biomassa e o crescimento florestal em vastas áreas de rotação. Os agricultores conseguem, de fato, transformar a saúde do solo em uma fonte mensurável de receita? Sem dúvida, ao fornecer dados de alta integridade exigidos pelos mercados globais de carbono. Na minha visão, essa é a interseção mais empolgante entre ecologia e finanças na história moderna, provando que sustentabilidade e alta produtividade finalmente caminham juntas.

A integração dessas tecnologias cria uma vantagem competitiva poderosa. Ao combinar dados de sensores com imagens de satélite em tempo real em um único sistema inteligente, as fazendas brasileiras alcançam desempenho ideal. Essa era digital desloca o foco do simples volume para a precisão sustentável e rastreável, garantindo que o agronegócio brasileiro permaneça como um líder global resiliente em 2026.

Autor: :

Vasyl Cherlinka

 Vasyl Cherlinka é Doutor em Ciências Biológicas, especializado em pedologia (ciência do solo), com 30 anos de experiência na área. Com um diploma em agroquímica, agronomia e ciência do solo, o Dr. Cherlinka tem aconselhado sobre essas questões no setor privado por muitos anos.

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