Agricultura irrigada pode ampliar produção de alimentos sem abrir novas áreas

Produção com sustentabilidade é possível.
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O Brasil tem amplo espaço para aumentar de forma consistente a produção de alimentos por meio da expansão planejada da agricultura irrigada, prática consolidada nos principais países produtores do mundo. Além de elevar a produtividade, a irrigação contribui para maior estabilidade das safras e redução dos riscos associados às variações climáticas.

Atualmente, o país possui cerca de 10 milhões de hectares irrigados, considerando todos os sistemas, com potencial para chegar a aproximadamente 60 milhões de hectares. O dado evidencia que ainda há grande margem para crescimento da agricultura irrigada no país.

“É uma tecnologia que permite produzir mais na mesma área, com eficiência e previsibilidade. O Brasil tem água, solo, clima e conhecimento para ampliar sua produção de alimentos sem avançar sobre novas áreas”, afirma , Silvio Carlos, presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).

No cenário internacional, áreas irrigadas representam cerca de 20% da área agrícola global, mas respondem por aproximadamente 40% da produção mundial de alimentos, o que evidencia o papel estratégico da irrigação na segurança alimentar e na adaptação às mudanças climáticas.

No Brasil, além do arroz irrigado — com forte concentração no Rio Grande do Sul, —, culturas como milho, soja, feijão, café, cana-de-açúcar, frutas e hortaliças utilizam sistemas de irrigação mecanizada, como pivôs centrais, aspersão e irrigação localizada, com ganhos expressivos de produtividade.

Além de ampliar a produção, a agricultura irrigada é uma ferramenta fundamental para reduzir os impactos do clima, especialmente em um contexto de maior frequência de secas e irregularidade de chuvas. Ao fornecer água no momento certo e na quantidade adequada, a irrigação reduz perdas, estabiliza a produção e dá maior segurança produtiva ao agricultor, mesmo em períodos de estiagem.

“Irrigar não é usar mais água, mas usar a água de forma planejada. As tecnologias de irrigação disponíveis hoje permitem aplicar apenas o necessário, com alto nível de controle e eficiência”, afirma Silvio Carlos.

Para a ABID, a expansão da agricultura irrigada deve estar associada ao planejamento e à gestão da água, incluindo práticas como reservação hídrica, drenagem agrícola e governança das bacias hidrográficas. A gestão adequada envolve tanto a aplicação de água quando há déficit quanto a retirada do excesso, evitando prejuízos ao solo e às plantas.

Entre os principais desafios para ampliar a área irrigada no país estão os custos de implantação, o acesso à energia, conhecimentos técnicos para aumentar a eficiência do sistema Já os processos de licenciamento ambiental e a necessidade de planejamento hídrico integrado, são oportunidades de implantar a técnica com sustentabilidade. O Brasil já está maduro para utilizar a irrigação como solução para aumentar a produção de alimentos”, assegura o dirigente da entidade.

“A agricultura irrigada faz parte da solução para aumentar a produção de alimentos, reduzir riscos climáticos e promover o uso responsável da água. O desafio agora é criar condições para que esse potencial se transforme em realidade”, conclui o presidente da ABID.

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