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Óleos essenciais na alimentação de aves: mecanismos de ação e efeitos produtivos

Créditos Shutterstock

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 08h20

Última atualização em 2 de fevereiro de 2026 às 08h20

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Autoria: Geraldo Pereira de Souza Neto; Carlos Frederico de Souza Castro; Marco Antônio Pereira da Silva

A crescente restrição ao uso de antibióticos como promotores de crescimento na avicultura tem impulsionado a busca por alternativas naturais capazes de manter o desempenho produtivo e a saúde intestinal das aves. Entre essas alternativas, os óleos essenciais destacam-se por sua composição rica em terpenoides e fenóis, com reconhecidas propriedades antimicrobianas, antioxidantes e moduladoras da microbiota intestinal. Este artigo revisa os principais mecanismos de ação dos óleos essenciais na alimentação de frangos de corte e poedeiras, abordando seus efeitos sobre a microbiota, a integridade da mucosa intestinal, a digestibilidade dos nutrientes e os índices zootécnicos. Evidências recentes indicam que esses aditivos podem melhorar o ganho de peso, a conversão alimentar, a morfologia intestinal e a qualidade de produtos avícolas, especialmente em condições de desafio sanitário ou estresse. Entretanto, a magnitude dos efeitos depende da dose, da composição química, da forma de apresentação — com destaque para a microencapsulação — e das condições de manejo. Conclui-se que os óleos essenciais representam uma ferramenta promissora e complementar aos programas nutricionais modernos, exigindo, contudo, uso criterioso e padronizado para maximizar sua eficácia.

1. Introdução

A crescente restrição ao uso de antibióticos como promotores de crescimento na avicultura, impulsionada por preocupações com resistência bacteriana e demanda por alimentos mais seguros, intensificou o interesse por alternativas naturais capazes de manter desempenho e saúde intestinal. Entre essas alternativas, os óleos essenciais têm recebido destaque devido à sua composição rica em terpenoides e fenóis, substâncias reconhecidas por sua ação antimicrobiana, antioxidante e moduladora da resposta imune. De acordo com ABDelli et al. (2021), esses compostos exercem efeitos diretos sobre a microbiota intestinal, reduzindo patógenos e favorecendo organismos benéficos.

Além disso, pesquisas apontam que a suplementação com óleos essenciais pode estimular secreções digestivas, melhorar a integridade da mucosa intestinal e reduzir o estresse oxidativo, especialmente em condições de desafio sanitário (ROCHA et al., 2024). Dessa forma, torna-se possível observar benefícios não apenas no ganho de peso e conversão alimentar, mas também na morfologia intestinal, refletindo em melhor absorção de nutrientes. Embora a magnitude do efeito varie conforme dose, espécie vegetal e forma de apresentação, a literatura recente demonstra que óleos essenciais podem compor estratégias nutricionais eficazes, especialmente em sistemas que buscam reduzir ou eliminar antibióticos. Assim, compreender seus mecanismos e limitações é essencial para seu uso racional na avicultura moderna.

2. Fundamentos do Encapsulamento

Óleos essenciais contêm terpenos e fenóis com reconhecida ação antimicrobiana, atuando na desestabilização de membranas celulares e redução de patógenos como Escherichia coli e Salmonella spp. (GHOLAMI-AHANGARAN et al., 2022). Além da ação antimicrobiana, esses compostos podem estimular secreções digestivas e aumentar a atividade de enzimas como amilase e tripsina, favorecendo o aproveitamento de nutrientes (URBAN et al., 2025).

Em frangos de corte, meta-análise de Rocha et al. (2024) evidenciou melhora significativa no ganho de peso e na morfologia intestinal, sugerindo que óleos essenciais contribuem para a integridade da mucosa. Ensaios com misturas de orégano, tomilho e sálvia demonstraram aumento de Lactobacillus e redução de Clostridium spp., associado a melhor desempenho zootécnico (VLAICU et al., 2023).

Em poedeiras, formulações contendo cinamaldeído e carvacrol têm promovido melhora na qualidade da casca e manutenção da produção em fases tardias, principalmente pela modulação da integridade intestinal (URBAN et al., 2025). Entretanto, autores destacam que o efeito produtivo pode ser discreto em sistemas com nutrição e biosseguridade altamente controladas, sendo a resposta influenciada por dose, composição química e forma de apresentação dos óleos (ABDELLI et al., 2021).

As dosagens apresentadas na Tabela 1 refletem valores comumente indicados na literatura, mas sua eficácia depende da padronização química dos óleos essenciais, do tipo de processamento — especialmente quando microencapsulados — e das condições sanitárias do plantel. Em geral, os efeitos são mais evidentes em situações de desafio entérico, estresse térmico ou nas fases iniciais de crescimento, quando o intestino é mais sensível (ROCHA et al., 2024; VLAICU et al., 2023). Além disso, a variabilidade natural da composição vegetal reforça a importância de associar esses aditivos a boas práticas de manejo e biosseguridade para garantir maior consistência nos resultados (ABDELLI et al., 2021).

Tabela 1: Dosagens recomendadas de óleos essenciais para aves

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Fonte: Adaptado de ABDELLI et al. (2021); GHOLAMI-AHANGARAN et al. (2022); ROCHA et al. (2024); URBAN et al. (2025); VLAICU et al. (2023).

Também são relatadas limitações, como variabilidade de composição entre lotes, sensibilidade térmica e custo, o que justifica o uso de produtos microencapsulados, que apresentam maior estabilidade durante o processamento da ração.

4. Considerações Finais

Os óleos essenciais constituem uma alternativa promissora aos antibióticos melhoradores de desempenho, especialmente em sistemas que valorizam segurança alimentar e redução de resíduos. Suas propriedades antimicrobianas, antioxidantes e moduladoras da microbiota favorecem a integridade intestinal e podem refletir em melhorias produtivas. Entretanto, a eficácia depende de fatores como dose, padronização da composição química, processamento da ração e condições sanitárias do plantel. Embora estudos recentes indiquem benefícios consistentes, os efeitos nem sempre são uniformes, exigindo avaliação criteriosa para cada sistema de produção. Assim, o uso de óleos essenciais deve ser integrado a um conjunto de práticas nutricionais e de manejo, reforçando sua função como ferramenta complementar para promover saúde e desempenho das aves.

5. Referências Bibliográficas

ABDELLI, N. et al. Phytogenic feed additives in poultry: Achievements, prospective and challenges. Animal Feed Science and Technology, v. 282, p. 115137, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.anifeedsci.2021.115137

GHOLAMI-AHANGARAN, M. et al. Thymol and carvacrol supplementation in poultry health. Veterinary Medicine and Science, v. 8, n. 4, p. 1517–1527, 2022. DOI: https://doi.org/10.1002/vms3.663

ROCHA, R. F. et al. Essential oils as a strategy to improve gut histomorphometry and performance of broilers: Systematic review and meta-analysis. Journal of Agricultural Science, v. 162, n. 4, p. 404–416, 2024. DOI: https://doi.org/10.1017/S0021859624000200

URBAN, J. et al. Enhancing broiler chicken health and performance: The impact of phytobiotics on growth, gut microbiota, antioxidants, and immunity. Phytochemistry Reviews, v. 24, p. 2131–2145, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s11101-024-09912-9

VLAICU, P. A. et al. Effect of basil, thyme and sage essential oils as phytogenic feed additives on production performances, meat quality and intestinal microbiota in broiler chickens. Agriculture, v. 13, n. 4, p. 874, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/agriculture13040874

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