Por Simone Silotti
Em um mercado que exige, além de gestão de custos, transparência e mitigação de riscos, a área de Compras e Suprimentos emergiu como o novo epicentro da integridade corporativa. Não se trata mais apenas de custo, mas de controle rigoroso. É aqui que o Compliance em Compras — ou Procurement Compliance — se torna não apenas uma exigência, mas uma vantagem competitiva decisiva e inadiável.
O Compliance em Compras é o compromisso inegociável de uma empresa em estruturar e salvaguardar todo o seu ciclo de aquisição: da identificação da necessidade ao pagamento final e à gestão de contrato. Este escudo de integridade deve estar em total sincronia com três pilares fundamentais:
- Leis e Regulamentos Externos: garantir a aderência a marcos legais críticos, como as leis Anticorrupção, LGPD (proteção de dados), ambientais, trabalhistas e fiscais.
- Políticas e Procedimentos Internos: aplicar rigorosamente o Código de Conduta e Ética da empresa, respeitando as alçadas de aprovação e as políticas internas de despesas.
- Normas de Mercado e Boas Práticas: alinhar-se aos padrões de governança mais elevados do mercado global.
Para Mario Michalski, CEO da Comlink, um dos pioneiros de e-Procurement no Brasil, com atuação global e mais de 25 anos de mercado, afirma que o objetivo principal é garantir a proteção legal, a solidez financeira e a reputação inabalável da empresa.
A Importância Estratégica: De Burocracia a Gerador de Valor
Para Michalski, o e-Procurement transcendeu o papel de mera burocracia para se consolidar como uma ferramenta estratégica de gestão de riscos e valor. Investir em integridade é, comprovadamente, investir em lucratividade e longevidade.
- Escudo de Riscos: protege contra penalidades Legais e Financeiras (evitando multas milionárias) e Riscos Reputacionais, resultando em economia substancial e fortalecimento da imagem de marca
- Fortalecimento da Governança: o compliance impõe transparência e rastreabilidade total em cada transação, transformando cada compra em uma trilha de auditoria à prova de questionamentos.
- Impulso à Eficiência Operacional: a padronização de processos e a crucial segregação de funções (quem solicita não aprova, por exemplo) resultam em uma área de Compras mais organizada, altamente eficiente e resistente a falhas e desvios.
- Decisões Sustentáveis e Éticas: o compliance atua na porta de entrada da cadeia de suprimentos, integrando critérios de Due Diligence e ESG (Ambiental, Social e Governança).
Como Plataformas de e-Procurement Transformam o Compliance em Ação
As plataformas de e-Procurement, segundo Sergio Cardoso – Head de Pós-Venda da Comlink – deixam de ser apenas softwares de gestão; são o motor da automação e da execução do compliance. Elas convertem políticas teóricas em fluxos de trabalho automatizados, consistentes e auditáveis, assegurando a consistência e a objetividade dos processos.
Segundo Cardoso, a tecnologia atua em pontos cruciais do processo de conformidade, garantindo a rastreabilidade e o controle necessários:
- Homologação Inteligente de Fornecedores: o compliance começa antes da primeira transação. Os sistemas avançados utilizam um Módulo de Due Diligence e Cadastro que automatiza a coleta documental e realiza consultas instantâneas a listas restritivas e bases públicas, aplicando o rigoroso processo Due Diligence de Fornecedores (Know Your Supplier – KYS).
- Imposição de Padronização e Ética: a plataforma implementa Fluxos de Trabalho (Workflows), garantindo o cumprimento das políticas internas e Códigos de Conduta.
- Garantia de Rastreabilidade e Auditoria: o Registro Completo (Audit Trail) é a espinha dorsal do compliance. Cada passo — solicitação, cotação, aprovação ou alteração — é carimbado com data, hora e responsável, fornecendo uma trilha de auditoria inquestionável para qualquer fiscalização interna ou externa.
- Controle de Gastos e Alçadas: o Controle Orçamentário garante que os gastos estejam dentro do budget. Mais crucialmente, o sistema aplica a Alçada de Aprovação, garantindo que a compra passe pelos níveis hierárquicos corretos, executando a indispensável Segregação de Funções de forma nativa.
- Gestão Contratual Centralizada: automatiza o processo de cotação e negociação comercial, potencializando e tornando mais eficiente a execução do contrato.
O futuro de Compras é transparente, ético e digital. O Compliance não é uma opção; é o único caminho para empresas que buscam solidez e crescimento sustentável. Vamos falar mais sobre isso?
Simone Silotti atua como consultora no agro. É palestrante, responsável pelo projeto ESG #FaçaumBemINCRÍVEL. Formada em Gestão do Agronegócio, com MBA em Gestão de Projetos pela USP ESALQ, recebeu o Prêmio Internacional Líder da Ruralidade do IICA, o Prêmio Josué de Castro, o Prêmio Mulher do Agro 2024 entre outros reconhecimentos. É também uma das 100 Mulheres da Forbes Agro e integrante do Grupo Forbes. Contato 11 9 9758 1923.
