Agricultora aposta na produção de farofa e na criação de galinhas caipiras para superar problema de saúde

Atividades desenvolvidas em fazenda na Zona da Mata mineira geram renda e resgatam memória afetiva.
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A idade e as condições de saúde não são limitações para a produtora Maria das Graças Polesca Teixeira. Aos 84 anos, ela se dedica à produção de farofa e à criação de galinhas caipiras, na Fazenda Vitória, em Santo Antônio do Grama. 

Criada no meio rural, ela se afastou das atividades durante um tempo para ser professora. A oportunidade de voltar às origens surgiu após a aposentadoria. 

“Quando me aposentei, pude dedicar mais à fazenda. Há dois anos fui diagnosticada com mal de Parkinson, minhas filhas estavam procurando uma atividade para que eu continuasse me movimentando. Por gostar de cozinhar e a cebola fazer parte da minha trajetória no meio rural, decidimos  iniciar a produção comercial da farofa de cebola”, relata Maria das Graças.  

Farinha de mandioca, sal, óleo, cebola e amor são os ingredientes que Maria das Graças e as filhas utilizam para produzir  mais de 30 potes da iguaria semanalmente. “A cebola é o ingrediente principal, pois me traz boas lembranças, foi por meio dela que obtive meu primeiro emprego aos 15 anos. O cultivo é uma tradição no município e atualmente compramos de outros produtores”, conta.

A criação de galinhas caipiras é outra fonte de renda para a família. Com o objetivo de ter ovos mais saudáveis, a aposentada já investia na atividade. Há dois anos decidiu aumentar a quantidade de aves. 

“Eles começaram com 30 e atualmente são 150 aves. Com o objetivo de  inserir a família no mercado institucional como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) temos prestado assistência técnica para a regularização da criação e da produção de  galinhas e ovos caipiras”, relata a extensionista da Emater-MG,  Sheily da Silva Milagres. 

Os produtos são comercializados na própria fazenda e em estabelecimentos do município. Para o próximo ano, avalia a possibilidade de implantar projetos relacionados ao turismo ecológico,  ao cultivo de café, abacate e  pimenta biquinho e também aumentar a produção da farofa.

Trajetória de desafios 

Perdas, dificuldades financeiras e superação marcam a trajetória da produtora. Devido ao falecimento do  pai, ela  começou a  trabalhar aos 15 anos.  “Eu plantava, colhia e fazia réstias de cebola. Em um dia consegui fazer 150 réstias o que contribuiu para minha permanência no trabalho por muito tempo”.

A  propriedade onde Maria das Graça trabalhou durante toda a adolescência, foi adquirida alguns anos depois pelo marido dela. A busca pelo conhecimento e por uma vida melhor fizeram com que a produtora conciliasse as atividades no campo com os estudos.

Com o fim do matrimônio, precisou trabalhar para sustentar os filhos. Com muita persistência terminou os estudos e se especializou em orientação escolar, profissão que exerceu até se aposentar. 

“Todos os obstáculos eu consegui superar graças a minha fé em Deus, eu sabia que Ele não iria me desamparar. Para mim o que é gratificante em ter uma terra é isso, manter ela produtiva e a família unida trabalhando e desfrutando de tudo junto e tendo os filhos como sucessores rurais”, destaca a agricultora. 

Para a  Sheily,  a história de Maria das Graças revelaa força das mulheres no campo. “A mulher é importante no meio rural,  quando a mesma se encoraja e  coloca fé é capaz de mudar a vida da família para uma situação melhor”. 

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