Luís E. O. Zanardo
Engenheiro agrônomo, consultor e palestrante
luiszanardo@yahoo.com.br
O greening está presente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Goiás. O foco principal da infestação é o cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, as maiores regiões produtoras do mundo.
O levantamento anual da incidência de greening, produzido pelo Fundecitrus, mostra que em 2025 a doença atingiu 47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro. Plantas com 20% da copa afetada podem ter uma redução de 30% na produção, e a doença pode levar a perdas de até 80% da produção total e, eventualmente, à morte da planta.
O que fazer?
O Lithothamnium é uma alga marinha calcificada do grupo das algas vermelhas, presente em praticamente todo o litoral brasileiro e em outros países.
Vive até 15 anos, formando estruturas semelhantes a corais, que, ao envelhecer, se desprendem e se acumulam em grandes áreas. Seu uso agrícola remonta à antiguidade, sendo reconhecido como fertilizante 100% natural e renovável, rico em minerais, aminoácidos e compostos bioativos.
Testes de campo e resultados observados
Os primeiros testes realizados em 2021, no município de Conchal (SP), mostraram que pomares fortemente infestados por greening, quando tratados com Lithothamnium, apresentavam maior resistência à doença. Desde então, mais de 120 campos experimentais foram conduzidos em fazendas com altos níveis de infecção, revelando respostas positivas consistentes nas plantas tratadas.

A principal explicação está no complexo de 16 aminoácidos da alga, capazes de desobstruir os vasos do xilema e floema, permitindo que a planta recupere vigor e mantenha a fisiologia ativa mesmo sob infecção.
Principais efeitos observados: Retomada intensa da vegetação e floradas mais homogêneas; Aumento de até 30% na produtividade; Redução da queda de frutos devido ao maior teor de cálcio no pedúnculo; Frutos maiores, com casca mais espessa e melhor diâmetro; Elevação do Brix e maior volume de suco.
Cálcio orgânico: o diferencial
O Lithothamnium contém cerca de 32% de cálcio orgânico, ligado a aminoácidos, o que o torna altamente assimilável. Diferente do cálcio inorgânico (calcário, gesso, óxidos), ele entra rapidamente na solução do solo e é absorvido pela planta com apenas 5,0 a 10 mm de lâmina de água.
Em 15 a 20 dias, os efeitos já são visíveis: folhas novas mais rígidas e resistentes à picada do psilídeo. Além disso, a deposição de cálcio nas frutas é tão intensa que dispensa o uso de protetor solar agrícola, protegendo naturalmente contra queimaduras.
A adição de cálcio nas folhas novas, especialmente nas mudas, resulta em maior concentração desse elemento. Essa condição dificulta a ação do psilídeo, protegendo as plantas.
“Nenhuma doença, incluindo o câncer, pode existir em um ambiente alcalino.” — Dr. Otto Warburg, Prêmio Nobel de 1931. O princípio também vale para as plantas: ambientes mais alcalinos inibem o avanço de doenças.
Relação entre Lithothamnium e o greening
- Melhora a saúde da planta: ao desobstruir vasos e otimizar o transporte de seiva, a alga permite que as plantas resistam melhor à obstrução causada pela bactéria do greening
- Corrige o solo e favorece o equilíbrio nutricional: seu alto teor de carbonato de cálcio e minerais atua na correção da acidez e na fortificação estrutural das plantas.
- Atua como bioestimulante: o Lithothamnium é um ativador microbiológico, estimulando a biologia do solo e a absorção de nutrientes.
- Integra o manejo fitossanitário: seu uso deve estar dentro de um programa integrado, que inclui controle do npsilídeo, erradicação de plantas doentes e uso de mudas sadias.

Atenção
Não existe cura definitiva para o greening (HLB), mas o uso contínuo do Lithothamnium tem se mostrado estratégico para prolongar a vida produtiva dos pomares, aumentar a qualidade dos frutos e reduzir o impacto da doença.
Importante reforçar: nem todos os Lithothamnium são iguais. A origem e o processo de obtenção influenciam fortemente nos resultados.
A citricultura moderna não pode mais prescindir do Lithothamnium, seja para conviver com o greening, elevar produtividades ou melhorar o rendimento industrial do suco.
O greening é um desafio permanente, mas há como conviver com ele. O manejo começa com nutrição inteligente, e o Lithothamnium é uma peça-chave nesse quebra-cabeça.
Para mais informações, fale com Zanardo, pelo telefone (19) 98136-0880.

