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Produção agroindustrial recua 2,1% em agosto, aponta FGVAgro

Nas agroindústrias, o retorno do investimento fica entre dois e três anos - Crédito Adriano Guimarães
Crédito Adriano Guimarães
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O volume de produção agroindustrial registrou retração de 2,1% em agosto de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o levantamento do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), divulgado pelo FGVAgro. No acumulado do ano, a queda chega a 0,5%, refletindo um cenário de desaceleração na economia brasileira e impactos do chamado tarifaço sobre o comércio internacional.

Setores em queda: bebidas e biocombustíveis

Os principais segmentos que puxaram a redução da produção agroindustrial foram Bebidas (-4,9%) e Produtos Não-Alimentícios (-4,2%), ambos acumulando sucessivas quedas ao longo de 2025.

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O setor de bebidas alcoólicas sofreu uma das maiores retrações, de 11,8%, atingindo o menor nível desde 2014. Apesar disso, o relatório destaca que os casos de contaminação por metanol registrados em setembro não afetaram diretamente os resultados de agosto.

Já no segmento de produtos não alimentícios, o destaque negativo ficou por conta da produção de biocombustíveis, que caiu 24,1%, o pior desempenho para o mês desde o início da série histórica em 2003.

Desafios para a agroindústria brasileira

De acordo com os pesquisadores do FGVAgro, o ano tem sido marcado por um conjunto de desafios para o setor agroindustrial, entre eles:

  • Desaceleração da economia brasileira, associada à política monetária restritiva;
  • Valorização do real, que reduz a competitividade e as receitas das exportações;
  • Impactos do tarifaço, tanto diretos quanto indiretos, sobre o comércio exterior e as expectativas empresariais.

Os especialistas destacam que parte da perda não se limita à redução dos embarques para os Estados Unidos (efeitos diretos), mas também à deterioração da confiança do empresário agroindustrial (efeitos indiretos), inclusive em segmentos considerados isentos das tarifas impostas em julho pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Perspectiva do setor

Mesmo diante da retração, o FGVAgro reforça que a produção agroindustrial deve se manter resiliente, apoiada pela diversidade da matriz produtiva e pelo avanço tecnológico do setor. Contudo, os analistas alertam que a recuperação depende de um ambiente econômico mais favorável, tanto interno quanto externo.

“A agroindústria brasileira tem demonstrado capacidade de adaptação, mas o cenário macroeconômico ainda é de cautela, com custos elevados e demanda internacional enfraquecida”, destaca o relatório.

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