O uso da irrigação para minimizar os efeitos das queimadas nos canaviais

Por Eng. Agrônomo Daniel B. Pedroso, Especialista Agronômico Sênior da Netafim Brasil.
Rebrota de um canavial de sequeiro (esquerda) e irrigado por gotejamento (direita) em agosto de 2025 / Divulgação

Publicado em 14 de outubro de 2025 às 08h08

Última atualização em 15 de outubro de 2025 às 09h35

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Autoria: Eng. Agrônomo Daniel B. Pedroso, Especialista Agronômico Sênior da Netafim Brasil

A safra 2025/2026 na região Centro-Sul já se aproxima do seu final, e várias usinas sinalizam que encerrarão a colheita entre meados de outubro. A estimativa aponta para números próximos de 620 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa produção representa uma redução de 1,2% em relação à safra anterior (2024/25). A queda é atribuída principalmente à diminuição da produtividade, com redução do índice de Tonelada de Cana por Hectare (TCH) e dos Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), devido aos impactos de fenômenos climáticos, como seca e incêndios.

Apesar de todos os esforços das autoridades, usinas e fornecedores, a nova “praga” dos canaviais — os incêndios, criminosos ou acidentais — vem sendo manchete constante e um desafio enfrentado pelo setor. Eles reduzem a produtividade e a qualidade da cana-de-açúcar da safra em curso e ainda afetam o desempenho da safra seguinte.

Nesse contexto, a irrigação pode ser uma aliada importante, não no sentido de evitar a queima da massa vegetal da cana, mas sim de minimizar os efeitos negativos para o ciclo seguinte. Explico: após a queimada, a usina ou o fornecedor tem duas alternativas — colher a cana ou roçar o canavial. O objetivo é único: que o canavial rebrote e inicie um novo ciclo. No entanto, incêndios ocorrem justamente em períodos de seca prolongada. Surge, então, a questão: como o canavial pode rebrotar e se desenvolver em um ambiente sem chuva e sem nutrientes? (Lembrando que plantas não “comem” adubos, mas sim absorvem uma solução nutritiva).

É nesse ponto que a irrigação se torna essencial. Após a queima, a colheita ou a roçagem, o irrigante pode acionar o sistema de irrigação, fornecendo água e nutrientes para estimular o pleno desenvolvimento da planta. Há casos práticos em uma unidade produtora próxima a Ribeirão Preto (SP), que, após a necessidade de roçar o canavial em julho, ativou o sistema de irrigação e obteve produtividade em TCH muito semelhante à de áreas não roçadas.

No entanto, você pode estar se perguntando: se o incêndio for criminoso ou acidental, não afetará o sistema de irrigação? Depende. A questão está na preparação prévia. No caso do sistema de irrigação por gotejamento subsuperficial — que é fixo e não pode ser retirado da área —, é preciso adotar medidas preventivas contra incêndios já na instalação. Nesse tipo de sistema, apenas os equipamentos presentes no campo de produção correm risco de danos: tubos gotejadores e válvulas.

As válvulas podem ser protegidas com caixas de concreto ou anilhas, enquanto os tubos gotejadores, enterrados a aproximadamente 30–35 cm, não sofrem danos com o fogo. Os demais itens, como filtros e controladores, ficam fora do campo de produção e, portanto, estão seguros.

Dessa forma, concluímos que um sistema de irrigação não é apenas uma ferramenta para hidratar a planta na ausência de chuvas. Aliado à fertirrigação — com injeção de insumos para proteção dos cultivos ou estímulo ao crescimento —, ele se torna uma verdadeira estratégia de produção.

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