Mulching amarelo garante microclima ideal

Os insetos atraídos pela cor amarela permanecem mais tempo no mulching e não nas plantas.
Acompanhe tudo sobre Mulching, Mulching amarelo e muito mais!
Foto: Ginegar

Givago Coutinho
Doutor em Fruticultura e professor efetivo – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)
givago_agro@hotmail.com

Em culturas como o morangueiro, alface e tomate e também nos cultivos em estufa, é comum a utilização de filme plástico para cobertura do solo, o chamado mulching. O uso de cobertura do solo ou mulching pode ser feito com cobertura morta, como serragem de madeira, casca de arroz, maravalha (raspas da madeira) e capim seco, ou com filmes plásticos, sendo reconhecidamente uma prática considerada eficiente para redução do uso de água na produção de olerícolas, por exemplo. A economia pode variar de 10 a 50%, dependendo do tipo de cobertura utilizada e da olerícola cultivada.

Neste sentido, surgiu no mercado o filme plástico amarelo para cobertura de canteiros de hortaliças e frutas. Este material mantém um microclima ideal, sem aquecer o solo e a superfície dos canteiros, além de auxiliar no controle de plantas infestantes e insetos-praga.

Benefícios

São citados como benefícios proporcionados pelo uso do filme plástico amarelo a atração de insetos vetores de doenças, especialmente os pulgões ou afídeos (Hemiptera, Aphididae), psilídeos, moscas-brancas, pulgões, cigarrinhas, vaquinhas e diversos outros insetos, além de ácaros. Desta forma, os insetos atraídos pela cor amarela permanecem mais tempo no mulching e não nas plantas. Por conseguinte, com a baixa visitação dos insetos às plantas, ocorre, proporcionalmente, a diminuição da incidência de vírus nas plantas, pois sem vetores não ocorre a transmissão de partículas virais às plantas.

Aquecimento do solo

O índice de aquecimento da superfície do solo é menor quando comparado aos filmes de coloração preta. Este absorve muito o calor recebido, aquecendo-se e podendo provocar queimaduras nas partes mais sensíveis da planta, com as quais mantém maior taxa de contato. Já plásticos de dupla face, preto na face interna e branco ou prateado na externa, provocam a reflexão da luz e não se aquecem tanto quanto o preto. O mesmo pode se dizer do plástico amarelo em relação à reflexão da luz e ao menor aquecimento.

Variações de cores

Os filmes plásticos para cobertura do solo são de polietileno de baixa espessura e limitada largura, sendo encontrados em diversas cores, como transparente, preto, branco, prateado, pardo, verde, dentre outras cores. Nas condições brasileiras, é muito difundida a utilização da cobertura do solo com filme plástico para as seguintes culturas: morangueiro, alface, solanáceas de fruto e cucurbitáceas. Dentre as frutíferas, tem sido empregado no cultivo do abacaxizeiro.

Foto: Ginegar

Vida útil

De acordo com empresas comercializadoras do produto, são dados 12 meses de garantia, sem degradação precoce do filme. Quanto à colocação do filme plástico sobre os canteiros, é feito por cima do solo, podendo o mesmo ser instalado antes ou após o plantio das mudas no canteiro. No caso da colocação do filme plástico após o plantio das mudas, são introduzidas pequenas hastes de taquara ou bambu ao lado de cada planta, em alguns metros de canteiro. Em seguida, estende-se o plástico sobre ele. Dessa forma, o local de cada planta fica demarcado pelas hastes, e assim o plástico é perfurado no local demarcado e, em seguida, é preso na lateral dos canteiros.

No segundo caso, o filme plástico é colocado no canteiro antes do transplante das mudas. A marcação da cova, neste caso, é feita perfurando o plástico com uma estaca de madeira pontiaguda ou um estrado de madeira, na qual se marcam as covas de acordo com o espaçamento e a profundidade desejados. No segundo caso, é maior a facilidade na colocação do plástico. É possível, também, encontrar o filme plástico já com os furos, para indicar onde a muda deve ser plantada ou inserida manualmente. Em qualquer caso, é preferível que a perfuração do plástico ocorra de forma circular.

Benefícios para a agricultura orgânica

Segundo a Instrução Normativa nº 007, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 1999), o manejo das plantas invasoras deve ser feito pelo emprego de uma ou mais técnicas citadas no documento. Estas técnicas incluem o emprego de cobertura vegetal do solo, viva ou morta, podendo-se utilizar, inclusive, cobertura inerte, desde que não haja contaminação e poluição, a critério da instituição certificadora. Assim, desde que não seja incorporado ao solo, qualquer filme plástico pode ser utilizado na agricultura orgânica, partindo-se do princípio que seja dada uma destinação adequada ao produto após o seu uso, para que não recorra em poluição e contaminação do solo.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Soluções para nutrição e proteção são aliadas do produtor na safrinha do milho

2

Bioinsumos inteligentes: soluções microbianas de alta performance

3

Genética do morango avança e redefine produtividade, qualidade e sustentabilidade

4

Parceria da Emater-MG com exportadores de café amplia divulgação do programa Construindo Solos Saudáveis

5

Produção de soja no Paraguai pode bater recorde e chegar a 11,53 milhões de toneladas

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Foto 01 (Pequeno)

Genética do morango avança e redefine produtividade, qualidade e sustentabilidade

Piúva no Parque Vida Cerrado

Fêmea de cervo-do-pantanal resgatada de incêndios chega ao Parque Vida Cerrado 

IMG-20260205-WA0068(1) (Pequeno)

Dicas para cultivar tomate em período chuvoso

Tecnologias apresentadas na Agrishow mostram como máquinas, dados e sistemas digitais já fazem parte da rotina produtiva no campo (Crédito: Agrishow)

Agrishow destaca soluções tecnológicas que contribuem para agronegócio mais sustentável